Como ligar o Primavera, o PHC ou o Sage a uma loja Shopify?
Não há ligação nativa: os ERPs portugueses e o Shopify comunicam por API, através de um conector. A parte difícil não é técnica — é decidir qual dos dois sistemas manda em cada campo. Stock, preços, artigos e clientes têm de ter uma única fonte de verdade, e a sincronização corre numa direção definida por campo. Sem essa decisão tomada à cabeça, os dois sistemas divergem em semanas.
Porque não há ligação nativa
O Shopify é uma plataforma internacional; o Primavera, o PHC, o Sage e o Artsoft são sistemas de gestão com forte presença em Portugal e ciclos de desenvolvimento próprios. Nenhum dos lados tem incentivo para manter uma integração oficial com o outro. A ponte é sempre feita por fora: um conector que fala a API dos dois.
Muitas instalações portuguesas destes ERPs são antigas ou foram personalizadas pelo parceiro que as implementou. Isso significa que a primeira coisa a fazer não é escolher tecnologia — é confirmar o que a instalação concreta expõe: versão, módulos licenciados, se há API ou se a integração tem de passar por base de dados ou ficheiros.
A decisão que define o projeto
Cada campo tem de ter um dono. Duas fontes de verdade para o mesmo dado é a causa de praticamente todas as integrações que correm mal.
| Dado | Dono habitual | Direção |
|---|---|---|
| Artigos e referências | ERP | ERP → Shopify |
| Stock | ERP | ERP → Shopify |
| Preços de venda | Depende | A decidir — ver abaixo |
| Encomendas | Shopify | Shopify → ERP |
| Clientes | Depende | Normalmente Shopify → ERP |
| Faturas | Software certificado | ERP/faturação → cliente |
O preço é o campo mais discutido. Se o ERP manda, as campanhas da loja ficam dependentes de quem mexe no ERP. Se a loja manda, a margem calculada no ERP deixa de bater certo. A resposta honesta é que depende de quem faz promoções e com que frequência — e é uma conversa de negócio, não de informática.
Onde estas ligações costumam falhar
- Stock a divergir porque os dois lados escrevem no mesmo campo
- Encomendas que falham a entrada no ERP e ninguém dá por isso — sem repetição automática nem alerta, descobre-se pelo cliente a reclamar
- Referências que não casam: o mesmo artigo com código diferente nos dois sistemas
- Clientes duplicados a cada encomenda, por falta de chave única (o NIF costuma ser a chave certa em Portugal)
- Devoluções e notas de crédito, que quase sempre ficam de fora do primeiro âmbito e depois obrigam a retrabalho
- Ambiente de teste inexistente — a integração é estreada em produção, com encomendas reais
Uma alternativa a integrar tudo
Nem toda a gente precisa de sincronização bidirecional completa. Muitas PMEs querem apenas ver — saber como está o negócio agora, sem pedir a alguém que exporte um Excel. Nesse caso a solução é uma camada de leitura por cima do que já existe: puxa da loja e do ERP, mostra vendas, margem e stock num painel, e não escreve em lado nenhum.
É muito mais barato, não tem risco de corromper dados no ERP, e resolve a dor real na maioria dos casos. É o que a Draypec entrega como instância back-office.
Por onde começar
Antes de qualquer orçamento: confirmar a versão e os módulos do ERP, obter acesso de leitura para levantamento, listar os campos que têm de sincronizar e decidir o dono de cada um. Esse levantamento é meio dia a um dia de trabalho e evita a derrapagem clássica destas integrações — descobrir a meio que o sistema não expõe o que se assumiu que expunha.
Atualizado a 2 de agosto de 2026. Escrito por Duarte Raposo, Draypec.
Precisas disto montado e testado na tua loja?
Pedir diagnóstico