O ERP fica.
Construí a camada onde se trabalha.
Fabricante português de car-care com marca própria e décadas de mercado. O sistema de gestão tinha os dados todos — tirá-los de lá exigia pedir a alguém que exportasse um ficheiro.
O que estava mal
A empresa tinha o Artsoft a fazer o que a lei obriga e a guardar a verdade financeira. O que não tinha era forma de operar sobre esses dados: saber a margem real de um artigo, antecipar uma rutura, planear produção pelo que estava mesmo a sair, ou ligar o que a loja vendia ao que a fábrica produzia.
É a situação de quase todas as empresas portuguesas com ERP instalado. O sistema custa milhares por ano, tem tudo o que interessa, e mesmo assim a decisão do dia a dia acaba num Excel ao lado.
A decisão que define o projeto
Não substituí o ERP. O Artsoft continua a ser o sistema de verdade financeiro: é ele que fatura, é ele que a contabilidade usa, é ele que a Autoridade Tributária reconhece. Construí a camada por cima, onde as pessoas trabalham todos os dias.
A fronteira ficou escrita antes de se escrever código. Dentro: artigos, encomendas, stock, compras, produção, CRM e análise comercial. Fora: contabilidade, fiscalidade, salários e banca — software de commodity, onde a diferenciação é baixa e o custo de errar é alto.
É esta separação que permite fazer isto em meses em vez de anos, e sem tocar em nada que tenha implicações legais.
O que construí
- Encomendas de todos os canais num sítio só, com reconciliação contra as faturas emitidas
- Stock com alertas de rutura e sugestões de compra calculadas
- Margem por artigo, com os custos reais que vêm do sistema de gestão
- Produção: planeamento, ordens de formulação e registo no chão de fábrica
- MES com um tablet por linha — o operador regista o setup no momento em que o faz
- Picking com leitura de código de barras, a encomenda só fecha quando bate certo
- Compras, contas a receber e demonstração de resultados espelhados do ERP
A escala
| Linhas de código | 215 934 |
|---|---|
| Rotas da aplicação | 600 |
| Tabelas na base de dados | 199 |
| Funções de teste | 3 461 |
| Utilizadores reais | 35, em 9 papéis |
E o ritmo, com a ressalva certa
O sistema já existia e já era substancial antes de entrar em controlo de versões — por isso não digo que foi construído do zero em três meses. O que é verificável é o crescimento entre abril e julho de 2026, em 1 344 registos de alteração:
| Abril | Julho | |
|---|---|---|
| Ficheiro principal | 3 791 linhas | 9 399 linhas |
| Rotas | 217 | 600 |
| Tabelas | 87 | 199 |
| Funções de teste | 323 | 3 461 |
Os testes multiplicaram por dez enquanto o sistema duplicava. Isso diz mais sobre o método do que qualquer número absoluto.
Como se liga a um ERP sem partir nada
Esta é a parte que interessa a quem tem receio de deixar alguém tocar nos seus sistemas — e é onde a maioria das integrações falha.
- A escrita está fechada por omissão. São quatro interruptores separados — geral, produção, encomendas a fornecedor, recibos — deliberadamente independentes, para que ligar um não arme os outros por arrasto.
- Nada escreve diretamente. Os documentos entram numa fila com chave única e repetição automática. Se esgotar as tentativas, o estado passa a revisão manual e aparece a alguém. Nada se perde em silêncio.
- A assinatura é sempre humana. Os documentos são criados como provisórios no sistema de gestão; quem assina é uma pessoa.
- Uma direção por campo. O stock real vive no ERP e é publicado para a loja, nunca ao contrário — a regra está escrita no código, não na cabeça de alguém.
A AI que já lá trabalha
Não são demonstrações. São peças em uso, e todas seguem a mesma regra: a AI propõe, a pessoa decide.
- Documentos que entram sozinhos. Larga-se um PDF ou uma fotografia de uma encomenda ou guia — de qualquer parceiro, sem lista fixa — e sai um rascunho na mesma forma que o ficheiro Excel já produzia. Se não conseguir ler, diz que não conseguiu em vez de adivinhar.
- Emails de encomenda B2B transformados em rascunho, com uma regra explícita: linha que não se percebe fica de fora e baixa a confiança da leitura — nunca é inventada.
- Perguntas em português sobre o negócio, com uma garantia desenhada: os números financeiros em bruto nunca saem para fora — só indicadores já calculados.
- Sugestões de compra e de produção sem modelo nenhum — são fórmulas de stock de segurança e prazo de entrega. Entram como rascunho, e alguém aprova, encomenda ou cancela.
O assistente nunca escreve direto: propõe, alguém confirma, e só então o sistema aplica permissões, executa e regista quem fez o quê.
Como se sabe que está em uso
- 35 contas reais, em 9 papéis — administração, financeiro, operações, engenharia fabril, ecommerce
- Entregas em produção registadas uma a uma, com verificação de saúde do sistema
- Tarefas automáticas em ciclo, cada uma com interruptor para desligar
- Tablets no chão de fábrica, com autenticação por dispositivo
- Incidentes registados com data e correção — incluindo os que foram culpa minha
O que este caso não prova
Não publico percentagens de poupança que não medi de forma auditável. O que está provado aqui é a capacidade de construir, integrar e manter um sistema em operação — não um retorno quantificado.
Também não é um SAP: não faz contabilidade, salários nem fiscalidade, por decisão. E nunca emitiu uma fatura legal — nem deve.
Tens um ERP
que ninguém gosta de usar?
Não é preciso trocá-lo. Conta-me em duas linhas o que a tua equipa faz à mão todos os dias — digo-te logo se é trabalho para mim.
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